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| 10/09/2009 |
| Private equity e venture capital têm US$ 10 bilhões para inovação |
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Private equity e venture capital têm US$ 10 bilhões para inovação. Setor de TI é um dos que mais pode se beneficiar
Os fundos de private equity e venture capital têm contribuído de forma decisiva, nos últimos anos, para o crescimento de companhias brasileiras, aumentando a competitividade do país. Essas modalidades de investimento buscam empresas inovadoras que possuem boa perspectiva de crescimento, o que torna o segmento de Tecnologia da Informação uma escolha natural para investir. Assim, a indústria de TI no Brasil entrou na rota dos grandes fundos internacionais e, hoje, chama a atenção dos investidores como um mercado emergente, embora as análises estejam mais cautelosas devido à crise financeira. Segundo a Associação Brasileira de Private Equity e Venture Capital (ABVCAP), os fundos de private equity e venture capital possuem cerca de US$ 10 bilhões para investir no Brasil, em qualquer setor, desde que apresente projetos consistentes. Em junho do ano passado, os fundos dispunham de US$ 27 bilhões para investir no País, mas a recessão global diminuiu as iniciativas. De todo modo, os US$ 10 bilhões são suficientes para atender a demanda de projetos. Em entrevista à TIC Mercado, o vice-presidente da ABVCAP, Sidney Chameh, disse que, tradicionalmente inovador, o setor de tecnologia é um dos que mais pode se beneficiar desse montante. Chameh também apontou os requisitos que as empresas de TIC devem preencher para receber o benefício. Para o vice-presidente da ABVCAP, os fundos de venture capital e private equity podem ajudar as empresas de tecnologia a se beneficiarem da experiência e da rede de contato dos gestores dos fundos para alavancar seu crescimento.
TIC – Qual a importância dos fundos de investimento para as empresas inovadoras?
Sidney Chameh – Os fundos de investimento em participações (também conhecidos como venture capital e private equity) podem contribuir de várias maneiras para o crescimento de empresas inovadoras, destacamos duas: com recursos financeiros e com aprimoramento da gestão. Os fundos de investimento em participações representam uma importante fonte de financiamento para o desenvolvimento de empresas inovadoras no país, pois oferecem recursos com um horizonte de longo prazo em condições mais atraentes do que um empresário conseguiria por meio de um empréstimo bancário convencional, por exemplo, sem contar que “dividem” o risco com o empreendedor não exigindo “garantia real”. Além disso, os fundos de venture capital e private equity também podem ajudar as empresas investidas a crescer por meio da gestão do dia a dia das operações, passando desde a instalação de estruturas modernas de governança corporativa até ao compartilhamento da rede de contato dos gestores dos fundos (como bancos, consultores, headhunters e principalmente novos clientes).
TIC – Como o setor de tecnologia pode se beneficiar com os fundos de investimento?
Sidney Chameh – O setor de tecnologia, principalmente considerando empresas nascentes, requer investimentos com longo prazo de maturação. Empresas como Google, Cisco e Intel precisaram de muitas horas de pesquisa e desenvolvimento para transformar idéias em produtos comercializáveis. Os fundos de venture capital e private equity podem ajudar as empresas de tecnologia justamente porque oferecem recursos com esse perfil de longo prazo. Adicionalmente, as empresas investidas podem também se beneficiar da experiência e da rede de contato dos gestores para alavancar seu crescimento. É comum, por exemplo, os gestores dos fundos de investimento auxiliar os empresários na negociação com clientes, fornecedores e bancos ou mesmo na definição de termos mais estratégicos, como o desenvolvimento de um produto/serviço ou a entrada em um novo mercado. Comentando de outra forma, os fundos podem dialogar com os empresários, que, por muitas vezes, se sentem só para tomada de grandes decisões ou mesmo para uma conversa de dia a dia. Outro aspecto é que as empresas de TI são, normalmente, formadas por técnicos que possuem total capacidade administrativa e por isto recebem bem o apoio dos fundos.
TIC – Segundo a ABVCAP, os fundos de private equity e venture capital possuem cerca de US$ 10 bilhões para investir no Brasil. Que requisitos as empresas de TIC, por exemplo, devem preencher para receber o benefício?
Sidney Chameh – Um dos pontos fundamentais para uma empresa receber um investimento de um fundo é a qualidade dos empreendedores e da equipe de gestão. É comum o investidor contratar um novo diretor para preencher uma eventual lacuna na empresa. Contudo, é fundamental que a equipe original de empreendedores e gestores possua um conhecimento bastante profundo do negócio dentro do qual a empresa está inserido e saiba construir os planos e as estratégias necessárias para fazer o negócio crescer. Outro ponto importante para os investidores são as características que aquele segmento dentro do qual a empresa está inserida possui. Segmentos com elevado potencial de crescimento, com poucos competidores e com elevadas barreiras de entrada contra novos aventureiros são em geral mercados muito atraentes aos fundos de investimento. Também importante é o próprio produto ou a oferta de valor do serviço, visto que se for um produto/serviço robusto, flexível e de difícil cópia as chances de sucesso aumentarão. Finalmente, não se pode perder de vista o fato de que os fundos têm data para sair do investimento, embora longa, precisam em algum momento vender. Se a empresa além do que já foi dito ainda reunir condições de “ser” atrativa a outros fundos ou a investidores estratégicos ou mesmo crescer o suficiente para abrir capital, será considerada uma ótima alternativa de investimento. É importante também lembrar que junto aos recursos financeiros, as empresas que receberam investimentos de fundos de venture capital e private equity também passam a ter um novo sócio na companhia. Assim, decisões que outrora eram tomadas exclusivamente pelo(s) fundador(es), passaram a ser compartilhadas também com o novo sócio, nesse caso o fundo de investimento.
TIC – Qual o potencial de crescimento da indústria de TI do Brasil, ou seja, em que grau o setor se encontra para que se torne uma escolha natural para investir?
Sidney Chameh – Em termos de crescimento, a indústria de TI é certamente uma das mais dinâmicas, não somente no Brasil como no mundo (vale ressaltar que um dos grandes sinônimos da indústria de venture capital é justamente o Vale do Silício, nos Estados Unidos, celeiro de inúmeras empresas inovadoras de tecnologia que ajudaram a construir o mundo que conhecemos). Com a estabilização da economia brasileira e com um cenário empresarial cada vez mais competitivo, a contribuição que a indústria de TI pode trazer em termos de eficiência e competitividade são enormes. Assim, apesar de crises como a qual estamos atravessando, a indústria de TI certamente estará entre as prioritárias para os gestores de fundos de venture capital e private equity no Brasil nos próximos anos.
TIC – A crise financeira, de maneira geral, levou à suspensão dos aportes financeiros? Além da crise, que outros desafios a indústria de TI deve “derrubar” para uma maior captação dos fundos de investimentos?
Sidney Chameh – Apesar dos avanços recentes, o Brasil ainda carrega várias estruturas inadequadas que impedem o pleno desenvolvimento da economia nacional. Em geral conhecido como “custo Brasil”, esse conjunto de ineficiências causa severas penalidades não só a setores mais tradicionais da economia, como o agrícola (falta de infraestruturas para transporte, armazenamento, fiscalização, etc.), como também a indústrias mais recentes como a de TI. No caso desta indústria, observa-se que as estruturas ultrapassadas de relações trabalhistas fazem com que o custo de contratação da mão de obra (em geral especializada e “cara” nessa indústria) penalize as empresas que adotam o modelo celetista, muitas vezes fazendo-as adotar modelos alternativos de contratação como PJs. Para fundos de investimentos, essas formas alternativas de contratação significam uma potencial contingência que pode explodir justamente no momento em que as empresas investidas estejam alcançando uma fase próspera de expansão, com maior exposição na mídia e chances reais de abertura de capital em bolsa. Assim, um dos importantes desafios a serem derrubados na indústria brasileira de TI é o custo que essas estruturas arcaicas representam às empresas. A substituição desses modelos antigos por outros mais compatíveis com a realidade dessas organizações certamente contribuirá para elevar o número de investimentos que são feitos nesse setor. |
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