|
 |
|
| 08/09/2009 |
| Nuvens no céu azul dos "private equities" |
|
É chover no molhado dizer que os fundos de "private equity", aqueles que compram participações em empresas (geralmente, as que ainda não têm ações listadas em bolsas de valores), estão cada dia mais interessados no Brasil. Em pesquisa divulgada no fim do primeiro semestre pela Emerging Markets Private Equity Association (Empea), o Brasil aparece em primeiro lugar na lista dos países emergentes que mais devem atrair investidores de "private equity" nos próximos 12 meses, passando à frente até mesmo da China. Além do maior interesse do investidor, muitas empresas estão com acesso limitado ao capital, o que amplia as oportunidades para os private equities. E a avalanche de aberturas de capital (que "tiram" negócios desse tipo de fundo) esfriou sensivelmente desde setembro do ano passado.
Com um cenário assim, era de se imaginar que os fundos de "private equity" voltados para investimentos no Brasil estivessem na crista da onda, captando recursos como nunca e realizando ótimos investimentos. Mas, na prática, a vida tem sido bem diferente disso. Pouquíssimos fundos se aventuraram a abrir captações de recursos novos - e os que o fizeram, estão com sérias dificuldades de conseguir o dinheiro que pretendiam. "A maioria diz que o Brasil é um bom lugar para se investir, há interesse no Brasil, mas onde está o cheque assinado?", disse o presidente da Associação Brasileira de Private Equity e Venture Capital (Abvcap), Luiz Eugenio Figueiredo, à repórter Vanessa Dezem, do Valor Online.
Por que a dificuldade de captação? Há vários motivos. Um deles é o fato de que fundos globais alocam um percentual de seu patrimônio - 10%, 15%, 20% - para investir no Brasil ou em mercados emergentes. O patrimônio desses fundos encolheu depois da crise e é preciso fazer ajustes. Se antes o fundo tinha US$ 4 bilhões, por exemplo, e 10% iam para o Brasil, isso significava que US$ 400 milhões poderiam ser aplicados em aquisições no país. Agora, o fundo pode ter metade disso e o dinheiro para o Brasil caiu para US$ 200 milhões. Eventualmente, o país pode até ter ganhado peso na alocação dos recursos, para 15%, por exemplo, o que significaria uma destinação de US$ 300 milhões, ainda abaixo do patamar pré-crise.
Outro motivo é o menor interesse de muitos investidores externos em fundos de "private equity", que têm um horizonte de retorno de longo prazo, de cinco anos em média. A preferência tem sido por investimentos mais líquidos e de retorno conhecido. Some-se a isso o fato de que parte dos aplicadores já havia assumido o compromisso de fazer aportes quando houvesse chamada de capital e agora está com dificuldades até para cumprir isso. Vale lembrar que, nesse tipo de fundo, muitas vezes o investidor se compromete a aplicar uma quantidade "x" e a desembolsa de acordo com o cronograma de aquisições de participações em empresas feitas pelo fundo. No Brasil, ressaltaram gestores reunidos na semana passada em evento da Mergermarket, todas as chamadas de capital de compromissos já assumidos foram cumpridas. No exterior, não.
No quesito concorrência com as ofertas de ações (IPO, na sigla em inglês), o diagnóstico é um pouco mais nublado. Informalmente, os gestores dizem que alguns bancos líderes nesse tipo de operação estariam novamente abordando empresas de médio porte vendendo a ideia da abertura de capital e dizendo que há hoje uma janela de oportunidade, já que o número de IPOs no mundo caiu drasticamente (de 269 operações no segundo trimestre de 2008 para 76 operações no mesmo período deste ano) e o foco dos investidores para novas operações está no Brasil e na China. No primeiro semestre, os dois países responderam por dois terços do valor total de ofertas iniciais de ações em todo o mundo, de acordo com dados da Ernst & Young. Parte desse resultado se deve à maior operação de 2009 até agora, a da Visanet, de cerca de US$ 4 bilhões, no fim de junho. Na China, uma operação já anunciada, a da China State Construction Engineering, deve superar a brasileira e chegar a US$ 7,3 bilhões.
Em 2007, especialmente, as aberturas de capital foram uma pedra no sapato dos fundos de "private equity". Além das avaliações das empresas terem sido infladas por conta do preço que o investidor do mercado acionário estava disposto a pagar, muitos bancos davam empréstimos baratos para essas empresas na fase pré-IPO (os chamados "equity kickers"). Os fundos, vistos como aqueles que, ao comprar uma participação, dão fôlego financeiro para a empresa crescer e ajudam a aperfeiçoar a gestão e o planejamento estratégico, não conseguiam oferecer para os empresários preços interessantes para suas ações e perdiam os negócios. O efeito IPO permaneceu mesmo depois que as aberturas de capital escassearam. Representantes de empresas que estavam no processo de abertura tinham em mente valores maiores para suas ações e demoraram a aceitar que a realidade era outra. Com a crise, 36 empresas adiaram seus projetos de abertura de capital com a crise. Destas, apenas algumas acabaram vendendo participações para fundos de "private equity", como a Droga Raia.
Os banqueiros que tradicionalmente realizam operações de abertura de capital negam que haja atualmente uma concorrência entre IPO e private equity como ocorreu no passado recente. "Os mercados estão bem mais seletivos e o apetite é por operações de abertura de capital de empresas maiores, como foi com a Visanet, como deve ser a Tivit (de tecnologia), a Cetip (serviços financeiros) ou a colocação de ações do Santander", diz um desses banqueiros. Mas o Valor apurou que há, sim, algumas operações menores sendo preparadas, ainda que sejam pontuais. Dois exemplos são os da Direcional Engenharia e da empresa de petróleo HRT, segundo informações do repórter Murillo Camarotto, do Valor Online. Se elas irão vingar, é cedo para dizer.
O céu azul para os fundos de "private equity" estrangeiros tem ainda uma outra nuvenzinha que incomoda: a oscilação do câmbio. Muitos deles compraram participações com o dólar a R$ 1,50 ou R$ 1,60. Para sair com bom resultado aos cotistas, a participação deverá ter uma valorização que supere bem a valorização do real.
Raquel Balarin
|
|
|
|
|
|
|
|
|
 |
|
| 26/07/2010 |
| O fundo de investimentos em private equity DGF-FIPAC está adquirindo uma participação de 20% no capital da empresa gaúcha APS Soluções em Energia |
|
 |
|
|
| 21/05/2010 |
| DGF assume participação na companhia, sob acordo que prevê investimento de R$ 50 milhões. |
|
 |
|
|
|
|